Desmatamento em Santa Catarina: o que os dados oficiais não mostram
Santa Catarina tem uma das maiores coberturas florestais do Sul do Brasil, mas a pressão sobre a Mata Atlântica continua — e os dados oficiais subestimam o problema.
Santa Catarina tem, em termos relativos, uma das maiores coberturas de Mata Atlântica remanescente do Brasil. Isso é uma conquista real, resultado de décadas de legislação ambiental, fiscalização e, em muitos casos, da própria topografia do estado, que dificultou a ocupação de algumas áreas.
Mas os números agregados escondem uma realidade mais preocupante. A fragmentação florestal — a divisão da cobertura contínua em ilhas isoladas — avançou de forma significativa. E fragmentação, como qualquer ecólogo sabe, é quase tão danosa para a biodiversidade quanto o desmatamento total.
O problema da metodologia
Os dados oficiais de cobertura florestal em Santa Catarina têm um problema metodológico que raramente é discutido publicamente: eles incluem, em muitos casos, plantações de eucalipto e pinus como "cobertura florestal". Essas plantações são monoculturas com biodiversidade próxima de zero — o oposto ecológico de uma floresta nativa.
Quando se filtra os dados para incluir apenas vegetação nativa, o quadro é consideravelmente menos otimista. E quando se considera a qualidade da vegetação remanescente — fragmentada, degradada, pressionada por atividades agrícolas e urbanas nas bordas —, o quadro fica mais preocupante ainda.
O que pode ser feito
Não é uma história sem saída. Iniciativas de restauração florestal existem e têm resultados concretos. O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, do qual Santa Catarina faz parte, tem metas ambiciosas e alguns resultados reais.
Mas restauração leva décadas. E enquanto a restauração avança em alguns pontos, a pressão continua em outros. O saldo líquido ainda não é positivo o suficiente para justificar otimismo fácil.