O modelo catarinense de desenvolvimento: mito e realidade
Santa Catarina é frequentemente apresentada como modelo de desenvolvimento para o Brasil. Mas o que está por trás dos números?
Existe um discurso sobre Santa Catarina que circula com frequência em debates políticos nacionais: o estado como modelo de desenvolvimento, de gestão pública eficiente, de qualidade de vida superior. Os indicadores são reais — Santa Catarina tem IDH acima da média nacional, baixas taxas de desemprego, economia diversificada.
Mas toda narrativa de sucesso tem contexto. E o contexto do "modelo catarinense" é mais complexo do que a versão simplificada sugere.
A herança da colonização europeia
Santa Catarina foi colonizada predominantemente por imigrantes alemães e italianos no século XIX, que trouxeram capital, técnicas produtivas e redes de solidariedade que criaram vantagens iniciais significativas. Esse ponto de partida diferente de outros estados brasileiros explica parte do diferencial de desenvolvimento — mas raramente é mencionado quando o "modelo catarinense" é apresentado como replicável.
Não é possível exportar o modelo sem exportar o contexto histórico que o tornou possível. E esse contexto inclui aspectos que não são reproduzíveis por decreto — como a distribuição fundiária mais equânime que resultou da colonização por pequenos proprietários, em contraste com a concentração fundiária que caracteriza outras regiões do Brasil.
O que o modelo não resolveu
Os bons indicadores médios de Santa Catarina obscurecem desigualdades internas significativas. O oeste do estado, com sua economia agroindustrial, tem realidades muito diferentes do litoral turístico. As populações indígenas e quilombolas do estado têm indicadores socioeconômicos muito abaixo da média estadual.
O "modelo catarinense" funciona bem para quem está no centro da economia formal do estado. Para quem está nas margens — geográficas, econômicas ou sociais —, a experiência é diferente.